Dores crônicas na coluna podem ser mais sérias do que se imagina








A pessoa que apresentar dor lombar prolongada (mais de 12 semanas), que piora com o repouso, melhora com atividade física e vem acompanhada de rigidez matinal prolongada, deve procurar um reumatologista. O alerta vem da presidente da Sociedade Amazonense de Reumatologia, Maria do Socorro Albuquerque, ao afirmar que estes sintomas e sinais são indicativos de Espondilite Anquilosante.

Segundo ela, a dor lombar é a queixa musculoesquelética mais comum e a principal causa de incapacidade para o trabalho. "Estima-se que 80% da população apresentarão problemas de dores lombares durante a vida", afirmou a médica.

A maioria das dores lombares, no entanto, é benigna, explica Socorro, destacando que no último mês os reumatologistas de todo o País trabalharam numa campanha para alertar sobre os sinais e sintomas da Espondilite Anquilosante, doença inflamatória que afeta preferencialmente a coluna. "A importância da campanha se deve ao fato de chamar a atenção para aquela dor lombar prolongada visando um diagnóstico e tratamento precoces", disse ela, explicando que a Espondilite é mais frequente no sexo masculino e pode iniciar no final da adolescência ou início da idade adulta, sendo incomum iniciarem os sintomas após os 40 anos.

"Embora a evolução da doença seja variável, a maioria dos pacientes tem uma evolução funcional satisfatória e mantém-se apta para o trabalho. Os fatores que influenciam a evolução para a incapacidade são a anquilose (rigidez) da coluna cervical, envolvimento de articulações do quadril e uveíte (inflamação intra-ocular", revela.

SINTOMAS

De acordo com a médica, o sintoma típico é o inicio de dor lombar baixa e/ou dor alternante nas nádegas, que piora com o repouso, melhora com atividade física e acompanhada de rigidez matinal maior que 30 minutos. "Em aproximadamente 33% dos pacientes a artrite periférica pode estar presente, afetando as grandes articulações de membros inferiores", argumentou.

Entre as causas da doença, os especialistas apontam para a genética como o principal fator determinante de suscetibilidade ao aparecimento da doença. Até o momento, o único gene de suscetibilidade conhecido é o HLA-B27. Segundo Socorro, a ocorrência de uma infecção, cujo agente ainda tem origem obscura, ou a exposição a um antígeno desconhecido em pacientes geneticamente suscetíveis, podem provavelmente resultar na expressão clínica da doença.

Sem cura, mas com tratamento

Embora não haja cura para a Espondilite Anquilosante, há boas perspectivas terapêuticas, informa Socorro Albuquerque. Os objetivos da terapia são reduzir a inflamação e a dor, assim como melhorar a função, mobilidade e a força.

Os melhores resultados são alcançados mediante uma abordagem multidisciplinar de tratamento, com a fisioterapia sendo um coadjuvante essencial aos métodos farmacológicos.

Em estágio avançado, a doença pode levar à formação de um novo osso nas juntas da espinha, deixando-a numa posição fixa. Apesar da gravidade da doença variar de pessoa para pessoa, alguns pacientes apresentam incapacidade funcional e os pacientes com a doença em gravidade progressiva, podem desenvolver algumas deformidades.

Geralmente, o diagnóstico é feito com base no exame clínico, histórico do paciente e teste de imagem por raios-x – entretanto, acredita-se que quando o diagnóstico é confirmado por teste de raios-x, a doença já pode ter  surgido há cerca de sete a dez anos.

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