A disfunção Sacro Ilíaca

A articulação sacro-ilíaca, devido a sua anatomia, é uma articulação especial a qual está sujeita a uma série de patologias (RIBEIRO; SCHMIDT; VAN DER WURFF, 2003). O termo disfunção sacro-ilíaca é freqüentemente usado para descrever a dor sobre ou ao redor da articulação e acredita-se que seja causada por desordens biomecânicas nesta (DREYFUSS et al., 1994). Desde o início do século XX, acredita-se que a articulação sacro-ilíaca constitua a principal fonte de dor ciática, admitindo que, assim como esta, a lombalgia, é causada freqüentemente por quantidade de movimento anormal nas articulações pélvicas, sobretudo na sacro-ilíaca (DEFRANÇA, 1996). Sendo assim, este estudo tem como objetivo realizar uma breve revisão de literatura sobre a disfunção sacro-ilíaca, sua relação com a dor lombar, os principais testes para avaliá-la bem como seu tratamento do ponto de vista da terapia manual.

Disfunção sacro-ilíaca

A ortopedia tradicional reconhece como lesões na articulação sacro-ilíaca os processos degenerativos, traumáticos, inflamatórios e infecciosos. Dentro destes, são citados a artrite: séptica ou reumática – inflamatória ou infecciosa; o entorse ou estiramento dos ligamentos sacro-ilíacos e a instabilidade. Nesta linha de pensamento, as chamadas disfunções articulares são definidas como diminuição reversível da mobilidade articular e, em relação às articulações sacro-ilíacas são consideradas mal definidas e difíceis de comprovar, chegando a questionar a existência deste fenômeno (LEE, 2001).

A osteopatia apresenta um conceito de “disfunção somática” para explicar certas alterações da funcionalidade do organismo. Segundo Ricard e Sallé (1996), a disfunção somática é uma restrição de mobilidade da articulação, devido à ausência de mobilidade de um elemento conjuntivo. Segundo Bienfait (2000), estas são ditas “lesões fisiológicas”, pois se tratam de uma limitação do movimento de um segmento ósseo, e não de uma luxação ou subluxação articular. Não há portanto, um deslocamento do segmento ósseo, somente uma restrição do seu movimento, que ocorre ao nível dos chamados micromovimentos, ou movimentos acessórios, da articulação. Uma vez restritos estes movimentos, os macromovimentos, ou movimentos fisiológicos da articulação estarão também limitados. Esta restrição pode ser dolorosa devido à tensão imposta aos ligamentos, o que estimula os seus mecanorreceptores, desencadeando dor.

Acredita-se atualmente que a articulação sacro-ilíaca seja responsável por grande parte dos casos de dor lombosacral, talvez em até 40% dos casos (DAUM, 1995).

A perda de mobilidade articular de um elemento no corpo deve ser compensada com o hiperfuncionamento de outro. A hipermobilidade é compensatória às fixações vertebrais que são supra ou infrajacentes. Um espasmo muscular e aderências caracterizam a hipomobilidade, por ocorrer na fixação articular. Como é assintomática, só pode ser detectada por testes de mobilidade comparativa (RICARD, 2001).

As noções puramente quiropráticas desenvolvidas por James Cox, no tratamento das afecções lombo-pélvicas e das ciáticas envolvem a hiper- hipomobilidade (COX, 2002). A zona de hipermobilidade compensadora se caracteriza por uma hipotonia muscular. Ela é o local das dores espontâneas, ocasionados pela inflamação dos tecidos periarticulares (músculos, ligamentos, cápsulas articulares), ela pode causar uma irritação das raízes nervosas. Os sinais clínicos estão ligados à zona hipermóvel, e os testes de mobilidade são negativos (RICARD; SALLÉ, 2002).

O estado de hipomobilidade pode resultar em adesões fibrosas nas articulações sacro-ilíacas com obliteração da cavidade sinovial, levando a um “ressecamento” de a extremidade articular e hipermobilidade da outra extremidade da mesma articulação (OLIVER; MIDDLEDICH, 1998; BIENFAIT, 2000).

Clinicamente, parece que o avanço da idade não implica na diminuição de mobilidade (LEE, 2001).

Dor sacro ilíaca

Os sintomas relatados pelos pacientes com disfunção sacro-ilíaca incluem dor unilateral sobre a articulação sacro-ilíaca e/ou nádega, com irradiação ocasional para o quadril e virilha; aumento da dor com posturas prolongadas; dificuldade de se levantar da posição sentada acompanhada de dor; dificuldade de subir escadas; alívio dos sintomas quando é aplicada uma pressão sobre o sacro e rigidez matinal que alivia após um curto período de suporte de peso (PORTERFIELD; DE ROSA, 1993).

A doença pode ser bilateral, mas quando é unilateral, com maior freqüência afeta o lado direito. As patologias tais como discopatia, síndrome da faceta lombar, doença do quadril e síndrome miofacial, podem atribuir a dor a uma área da articulação sacro-ilíaca, estando sujeitas a um diagnóstico diferencial. Na presença de um quadro clínico de disfunção do sacro-ilíaco, uma discrepância verdadeira do membro reforça este diagnóstico (WALKER, 1992; ATLIHAN et al., 2000).

O padrão de dor de uma articulação sacro-ilíaca foi determinado injetando contraste intra articular em voluntários saudáveis (ATLIHAN et al., 2000; BROWEN; CASSIDY, 1981; FORTIN et al., 1994). Com maior freqüência, a dor se localiza abaixo do território de L5 (estando a área mais específica a 10 cm caudalmente e 3 cm lateralmente em relação à espinha ilíaca posterior-superior, ou seja, a assim chamada área de Fortin) que se irradia para a nádega, coxa e virilha, acabando por se estender para a perna e,às vezes, por imitar a dor ciática (FORTIN; TOLCHIN, 1993; SLIPMAN et al., 2000).

Sacro-ilíaca e dor lombar

Desde o início do século XX, os médicos acreditavam que a articulação sacro-ilíaca constituía a principal fonte de dor ciática, admitindo que, assim como esta, a lombalgia, era causada freqüentemente por quantidade de movimento anormal nas articulações pélvicas, sobretudo na articulação sacro-ilíaca (DEFRANÇA, 1996).

Atualmente são inúmeros os autores que relacionam a dor lombar à disfunção na articulação sacro-ilíaca. Segundo Ricard e Sallé (2002), a pelve é uma das regiões mais importantes a ser tratada do ponto de vista osteopático, pois muitas das disfunções vertebrais têm como origem desequilíbrios na pelve. De acordo com Ribeiro (2003), a disfunção sacro-ilíaca é uma disfunção biomecânica desta articulação e poderia ser uma causa de lombalgia.

Miltner & Lowendorf (1931) apud Molin (1996) afirmaram que a vértebra de transição lombosacra predispunha a entorses na região sacro-ilíaca.

Maigne et al (1996), realizaram um estudo com 54 pacientes que apresentavam dor lombar unilateral cuja localização conferia com a área de dor referida da articulação sacro-ilíaca. Nestes, foi aplicado bloqueio anestésico na articulação sacro-ilíaca e 18,5% (10 pacientes) experimentaram alívio temporário dos sintomas, sugerindo que esta fosse a real fonte de dor.

Testes para articulação sacro-ilíaca

Apesar de sua relevância as articulações sacro-ilíacas são pouco consideradas na avaliação clínica (MORAES; MARINI; LACOURT, 2004).

Para avaliar clinicamente a articulação sacro-ilíaca, vários testes são utilizados. Os testes podem ser divididos em dois grupos: provocativos e de mobilidade (VAN DER WURFF; MEYNE; HAGMEIJER, 2000). Os testes provocativos são manobras que provocam tensão na articulação sacro-ilíaca e, conseqüentemente, provocam dor. Os testes de Patrick e Ganslen são exemplos bem conhecidos cuja descrição pode ser encontrada em praticamente todos os manuais de exame físico. Os testes de mobilidade se baseiam nas alterações de uma referência que podem surgir em movimentos padronizados (RIBEIRO; SCHMIDT; VAN DER WURFF, 2003).

As evidências atuais mostram que a avaliação clínica é a melhor maneira de julgar a presença ou ausência de mobilidade nas articulações sacro-ilíacas e a sua relação com as queixas do paciente (LEE, 2001).

Ao realizar avaliação objetiva das articulações sacro-ilíacas, o examinador procura sinais de assimetria à alteração da amplitude de movimento, diagnosticadas por meio de palpação óssea e testes clínicos específicos (GREENMAN, 2001).

Teste de flexão em pé (TFP) -> o paciente fica em pé com o peso do corpo distribuído igualmente nos dois membros inferiores. Com os polegares, o avaliador palpa a face inferior das espinhas ilíacas póstero superiores (EIPS). O paciente é instruído a flexionar o tronco para frente. A EIPS que se mover cranialmente em relação à EIPS contra-lateral indica o ilíaco que está em lesão (LEE, 2001).

Teste de Gillet -> paciente em pé, com o peso distribuído uniformemente nos dois membros inferiores. O terapeuta palpa a face inferior da EIPS com um polegar e, com o outro, a base do sacro diretamente paralela. O paciente é instruído a flexionar o quadril ipsilateral e, um deslocamento inferior e medial da EIPS em relação ao sacro é observado. Caso não ocorrer, indica lesão anterior ilíaca. Após, o paciente realiza a extensão do quadril ipsilateral e um deslocamento superior da EIPS em relação ao sacro deve ocorrer. Caso não ocorrer, indica lesão posterior ilíaca (LEE, 2001; VAN DER WURFF; MEYNE; HAGMEIJER, 2000).

Teste de Dowing -> em decúbito dorsal,é realizado para verificar se a lesão do ilíaco que fora observado no TFP é em anterioridade ou posterioridade. Com o membro inferior do lado correspondente a lesão deve ser realizada uma rotação externa forçada do quadril, posição que deve ser fixada por alguns segundos, acompanhada de abdução. Ao retornar a posição de extensão o membro deve estar mais longo que o membro contra-lateral, devido a uma rotação anterior do ílio (isto pode ser observado pelo alinhamento dos maléolos mediais do tornozelo, ou por traços previamente riscados sobre a pele do paciente). Caso isto não ocorra, é indicativo de um ilíaco preso em posterioridade. Para identificar um ilíaco preso em anterioridade, é realizada uma rotação interna do quadril forçada, posição que é mantida por alguns segundos. Quando o membro correspondente é posicionado em extensão, o mesmo deve encontrar-se mais curto, significando uma rotação posterior do ílio. O teste é considerado positivo para ilíaco em anterioridade quando isto não acontece (BIENFAIT, 2000; WALKER, 1992; VAN DER WURFF; MEYNE; HAGMEIJER, 2000).

Teste de flexão sentado: o paciente será posicionado sentado sobre um banco com os joelhos afastados e os pés bem apoiados no chão. Com os polegares, o avaliador palpará a curva inferior de cada EIPS. O paciente será instruído a curvar-se o máximo para frente com os braços entre os joelhos. A espinha ilíaca que mais se afastar na direção cefálica durante o movimento será considerada positiva, indicando restrição da mobilidade (GREENMAN, 2001).

Palpação das espinhas ilíacas antero superiores -> realizada em decúbito dorsal, somente o ílio do lado da lesão será avaliado em relação ao outro. Esta palpação identifica a existência de rotação anterior ou posterior de um dos ilíacos. Quando a espinha ilíaca está situada em uma posição mais caudal, significa um ílio anterior, quando se encontra mais cefálica, é porque existe um ílio posterior (BIENFAIT, 2000).

Palpação dos maléolos mediais: em decúbito dorsal. Tem como objetivo detectar discrepância no comprimento dos membros inferiores. Um membro mais comprido do lado da lesão, indica um ílio anterior. Um membro mais curto do lado afetado, indica um ílio em posterioridade (BIENFAIT, 2000).

Palpação da espinha ilíaca póstero superior (EIPS) -> realizado em decúbito ventral para identificar a anterioridade e posterioridade do ílio envolvido na lesão. Quando a EIPS do lado afetado encontra-se em uma posição cefálica é indicativo de um ilíaco anterior e, quando se encontra em posição caudal, indica ílio posterior (BIENFAIT, 2000).

Cibulka e Koldehoff (1999) usaram uma combinação de testes de movimento e simetria para determinar se o paciente possuía disfunção na região sacro-ilíaca e demonstrou alta concordância para o método que eles desenvolveram. Eles determinaram que a disfunção na articulação sacro-ilíaca estava presente no paciente em que 3 dos 4 testes realizados fossem positivos: Teste de flexão em pé, teste de flexão do joelho em decúbito ventral, teste de Dowing e palpação da EIPS na posição sentada. Dois terapeutas avaliaram 26 pacientes com dor lombar inespecífica. A concordância interteste entre os terapeutas para determinar a presença de três testes positivos foi alta, concluindo que este conjunto de testes possui utilidade clínica para determinar quem tem e quem não tem disfunção sacro-ilíaca em pacientes com dor lombar. No entanto, a utilidade clínica destes testes não foi determinada para pacientes com dor originada do disco intervertebral. Outra limitação deste estudo foi que eles não determinaram o tipo de assimetria presente.

Riddle e Freburger (2002) realizaram os mesmos quatro testes feitos por Cibulka e Koldehoff (1999), porém em um grupo maior de pacientes e maior número de avaliadores, observando a concordância e discordância entre terapeutas sobre o lado (direito e esquerdo) e o tipo (rotação anterior ou posterior do ilíaco) da disfunção. Foi considerada também a presença de disfunção sacro-ilíaca se três dos quatro testes realizados foram positivos.

Tratamento da disfunção sacro-ilíaca

O tratamento da disfunção do sacro-ilíaco também é um assunto discutível. Os osteopatas, os quiropráticos e os terapeutas manuais advogam o uso da manipulação e mobilização, que podem ser associadas com medicação e fisioterapia (MCMORLAND; SUTER, 2000). A fisioterapia está focalizada em um programa de exercícios para corrigir desbalanço muscular. O glúteo máximo e o médio, e os rotadores externos do quadril devem ser fortalecidos. Os iliopsoas, reto femoral e jarretes são submetidos a alongamento. Usa-se manipulação e mobilização na tentativa de restaurar a mecânica da articulação. (RIBEIRO; SCHMIDT; VAN DER WURFF, 2003).

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Exercícios de trocas de postura ajudam a combater dores nas costas

Quando somos crianças não temos vergonha de fazer inúmeras posições e nos movimentamos naturalmente. Espreguiçamos, rolamos, agachamos, deitamos e levantamos com uma alegria invejável. Entretanto, ao passo que envelhecemos e nos tornamos adolescentes, jovens e adultos, cada vez mais esquecemos desses movimentos, e fiamos grandes períodos ou sentada ou deitada. Se pararmos para pensar uma pessoa que não tem uma vida ativa, onde sua atividade profissional é na postura sentada, seria mais ou menos assim: acorda, um pouco de movimento para se arrumar. Para tomar café sentado; no carro sentado; e no trabalho; e na hora do almoço? Sentado...e assim por diante. 

Se você é uma dessas pessoas, aqui vai mais uma opção para alegrar o seu corpo com trocas posturais. Como o próprio nome diz, sair de uma para a outra postura, com um movimento natural que o corpo já sabe fazer. Deitar, rolar, sentar, e ficar em pé. Estas simples trocas podem auxiliar no inicio de um programa de treinamento, e ajudar você a melhorar seu bem-estar seu condicionamento físico. 

Inicie desta forma:

1. Deitado no chão de costas com pernas(membros inferiores em extensão), role para a direita ou esquerda e sente com o apoio das mãos e fique de pé. Volte para o chão pelo mesmo caminho que ficou em pé. Repita cinco vezes esse procedimento de cada lado.
2. Deitado idem acima, dê um impulso e sente utilizando os membros inferiores e abdome; vire para um dos lados e faça a transferência para ficar em pé. Também repita cinco vezes de cada lado.
3. Assim como nos exercícios anteriores, é preciso ficar deitado. Role para o lado e fique de barriga para o chão; passe para a postura de gato; ajoelhe e coloque uma das pernas na frente e fique em pé; volte para o chão pelo mesmo caminho. Repita para o outro lado. Faça isso cinco vezes.

É muito simples. Experimente e perceba a quantidade de músculos que são trabalhados durante esses exercícios. Você pode iniciar com o exercício número um, dia sim e outro não. E após quatro semanas acrescente a sequência número dois e após mais quatro semanas acrescente a três. E pratique por três meses alternadamente. E depois você pode alterná-las durante a semana. Você pode aplicar outros treinamentos em conjunto com estas trocas. Exemplo: antes da caminhada, da corrida ou do seu treinamento de força. 

 Eles são excelentes para quem está com baixa disposição ou até mesmo cansado do mesmo treinamento de rotina. Para atletas pelo menos uma vez por semana fará a diferença no programa de treinamento de rotina. Um antiestresse natural, ideal também até para os papais e as mamães brincarem com os filhos de qualquer faixa etária sem ficar com dor nas costas.

Fonte: MSN Saúde

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Osteopatia em Cervicobraquialgia

O objetivo desta apresentação é nortear o fisioterapeuta, que trabalha com terapia manual, no tratamento dos casos de cervicobraquialgia segundo os princípios da osteopatia.

Este trabalho é uma tentativa de relatar a experiência vivida no consultório no atendimento aos pacientes portadores destes sintomas.

Não foi possível realizar um trabalho científico com estes pacientes pois não foi feito nenhum protocolo fechado de tratamento, ou seja, cada paciente foi tratado de acordo com as suas necessidades e não por um padrão pré-estabelecido. Porém, algumas cadeias lesionais foram encontradas com tanta freqüencia, que sugerem uma relação muito forte entre estas lesões e a maior parte das cervicobraquialgias.

É importante ressaltar, que o diagnóstico diferencial é, como em qualquer outra patologia, a chave no tratamento da cervicobraquialgia. Detectar as condições estruturais, nervosas e vasculares da região, assim como, o tecido lesado e o agente causador, é o fator fundamental que vai nortear o caminho a ser tomado. Portanto, para podermos pautar o tratamento, devemos ter em conta todas as possíveis origens da dor, assim como as características da dor de acordo com cada tecido. Feito isso, as grandes armas do Terapeuta Manual no seu diagnóstico e tratamento são a palpação e os testes de mobilidade.

Descobrir as restrições teciduais, suas direções e parâmetros é o que nos possibilita saber que técnica usar e de que forma. Seguindo estes preceitos básicos, torna-se muito mais rápido e eficaz o tratamento da cervicobraquialgia.

Na grande maioria das vezes a osteopatia tem boa indicação e resultado no tratamento das neuralgias cervicobraquiais, pois nem sempre a neuralgia cervicobraquial está associada a um comprometimento discal, ou a uma patologia, pelo contrário está mais comumente associado a uma disfunção somática.


As cervicobraquialgias estão comumentes associadas a quatro fatores:

· Radiculalgias (distúrbios ao nível do forâme de conjugação com conseqüente irradiação às estruturas inervadas por aquela raiz nervosa)

· Patologias dos MMSS (principalmente as neuropatias periféricas que podem provocar irradiação no sentido tanto da cervical quanto do punho)

· Dores Referidas (vísceras e patologias diversas que podem apresentar sintoma de dor reflexa no trajeto cervicobraquial

· Distúrbios Estruturais (cadeias lesionais de origem ascendente ou descendente que podem provocar uma sobrecarga na região cervicobraquial)


As radiculalgias, ou compressão das raízes nervosas, podem ser distribuidas em três grupos:

· Lesões unco-disco-radiculares (associadas a uma discopatia ou uma artrose uncovertebral)

· Mielopatia cervical (estreitamento do canal medular)

· Processos inflamatórios que afetam as raízes nervosas (lesões osteopáticas)


Algumas síndromes dos MMSS que podem desencadear uma cervicobraquialgia:

· Síndrome do túnel do carpo (sinal de Tinel, British, Phalen)

· Síndrome do desfiladeiro torácico (Teste de Wright)

· Periartrite escápulo-umeral

· Epicondilite

Outros motivos de dor no trajeto cervicobraquial são as dores referidas, que podem ocorrer por distúrbios viscerais. Tais dores, têm como principal característica, não estar associadas ao movimento, ou seja, não apresentam alteração da dor à mudança de posicionamento.

Algumas vísceras que podem produzir dores nessa região:

· Coração (dor referida em MSE)

· Pulmão (dor referida em escalenos)

· Fígado (dor referida em MSD)

· Baço (dor referida em MSE)

· Estômago (região dos trapézios)

· Diafragma (ombros)

Outros fatores que podem apresentar dor na região cervicobraquial são as patologias locais, ou que podem gerar dor referida neste trajeto. Abaixo encontram-se as principais patologias com suas caracerísticas mais importantes:

· Câncer vertebral (dor intensa, que não se relaciona com movimento, rebelde ao tratamento e com sinais motores)

· Neurinoma (dor noturna ou ao deitar, síndrome piramidal homolateral e rigidez cervical)

· Siringomielia (alterações da sensibilidade térmica, multirradiculares)

· Distrofia simpático reflexa (dor constante, edema, com alteração da sensibilidade, afetando todo o membro superior)

· Herpes Zoster (dor surda, aparecimento de vesículas no trajeto da raiz nervosa nos dias seguintes)

· Flebite (edema importante)

· Costela Cervical (isquemia de MMSS , com esfriamento dos MM,cianose dos dedos, diminuição importante do pulso radial)

· Síndrome dos Escalenos (formigamentos e diminuição do pulso radial, altera com inspiração forçada)

Para estabelecer um diagnóstico osteopático, devemos iniciar como um exame ortopédico normal e ir adicionando elementos para uma compreensão osteopática da situação que encontrarmos.

Um bom ROTEIRO para o diagnóstico seria:

. Anamnese (Características da dor, intensidade e cronicidade, histórico de traumatismos, cirurgias, doenças pregressas, outras dores e sensações corporais)

. Exame estático (postura, linhas de gravidade, possíveis cadeias lesionais)

. Exame dinâmico (detecção de zonas planas, quebras de continuidade e diminuição de ADM)

. Palpação (temperatura, edema, densidade tecidual, pontos gatilhos e zonas doloridas, palper roller)

. Testes ortopédicos e neurológicos (Teste de Jackson, Teste de Roger-Bikelas, teste de Wright, Sinal de Tinel, flexão máxima do pescoço e percussões tendíneas)

. Exames complementares: raio-x, ressonância magnética, tomografia computadorizada Testes específicos da osteopatia (Quick scanning, testes de mobilidade de cada região, teste de Mitchel)

Possíveis lesões osteopáticas nos casos de cervicobraquialgias, evidenciando as mais encontradas:

Cervicais: posterioridade, anterioridade e lateralidade

Fixação de c5/c6 Torácicas: lesão de extensão, flexão, ou neutra Rigidez de t2 a t6 Anterioridades torácicas, T1 e t2 em frs

Costelas: inspiração e expiração, principalmente a quarta costela



Ombro: gleno-umeral (superioridade, inferioridade e anterioridade), acrômio-clavicular, esterno-clavicular (superioridade e anterioridade)



Cotovelo: lateralidade interna e externa e da cabeça do rádio anterior e posterior



Punho: flexão, extensão, lateralidade, ossos do carpo Outras lesões que podem estar associadas

Diafragma: hipotonia, contração crônica

Fígado e estômago: superioridade, ptose, rotação baço diminuição da motilidade

Crânio: lateroflexão, rotação, torção, flexão, extensão, Vertical strain, lateral strain

Algo importante de lembrar é a disfunção metamérica e suas repercussões. Uma raiz nervosa, onde há uma inflamação, apresenta alteração da condução elétrica nervosa por causa da alteração do Ph local e por isso, todos os tecidos por ela inervados podem apresentar algum tipo de alteração. Como conseqüencia, teremos repercussões diretas e indiretas:

· As diretas estão relacionadas aos tecidos inervados pela raiz em questão, ou seja: miótomo (hipertonia local, hipotonia a distância e cordões miálgicos), esclerótomo (dor no processo espinhoso e a distância), viscerótomo (disfunções viscerais) dermátomo (dermalgia reflexa), angiótomo (estases locais)

· As indiretas, relacionam-se com as compensações biomecânicas decorrentes das disfunções metaméricas, por exemplo: Uma disfunção de C5, C6 ou C7, pode levar a uma hipotonia do serrátil anterior (repercussão direta), que por sua vez desequilibra a estrutura muscular do ombro podendo levar a uma tendinite do supra espinhoso (repercussão indireta).

O tratamento osteopático, parte basicamente da idéia de promover a liberdade corporal. Desta forma devemos descobrir quais são os movimentos restritos e liberá-los. Tendo em vista os principais bloqueios encontrados nestas síndromes, os quais já foram citados anteriormente, é possível estabelecer um pequeno protocolo de tratamento que permite solucionar grande parte das disfunções em cervicobraquialgia, restando apenas poucos ajustes para alguns casos mais resistentes ao tratamento.

Nunca esquecer que cada paciente tem sua própria conformação corporal e particularidades e por isso os bloqueios e o tratamento nunca serão exatamente iguais de uma pessoa para outra. Após algum tempo em que acontece uma lesão osteopática, surge uma hipermobilidade reacional como forma de compensar a falta de movimento da estrutura lesada. A hipermobilidade é sintomática, porém não devemos manipulá-la, pois, o segmento hipermóvel já está com seu movimento livre. Portanto, muitas vezes tratamos uma cervicobraquialgia sem tocar as cervicais.


Tratamento do tronco

1- técnica neuromuscular para liberação de paravertebrais e intercostais

2- Alongamento dos músculos torácicos

3- "Dog técnica" para corrigir zonas planas (anterioridades torácicas)

4- Técnica dos pisiformes cruzados para corrigir as posterioridades

5- Liberação do diafragma

6- Manipulação das costelas em rotação


Tratamento da coluna cervical

1- Alongamento dos músculos espinhais

2- Alongamento dos Trapézios

3- Spray and stretch para músculos em estado de contração crônica e com pontos-gatilho

4- Thrust (manipulação) em lateralidade cervical

5- Thrust em rotação cervical

6- Thrust em D1 e D2 em thumb move

7- Thrust em primeira costela


Tratamento dos membros superiores

1- Mobilização da escápula

2- Técnicas de ponto gatilho para peitorais

3- Neuromuscular para rombóide

4- Alongamento para redondo menor

5- Manipulação da esterno-clavicular

6- Manipulação da acrômio-clavicular

7- Manipulação da gleno-umeral

8- Thrust em lateralidade para cotovelo

9- Thrust para cabeça do rádio

10- Thrust para o punho

11- Técnicas articulatórias para os ossos do carpo Holismo em osteopatia


É válida a tentativa de montar um protocolo de tratamento nos casos de cervicobraquialgia, porém não devemos esquecer o conceito do holismo em osteopatia, onde devemos tentar enxergar o todo. Desta forma, temos que considerar a possibilidade de outras estruturas estarem ocasionando uma cervicobraquialgia, como por exemplo: uma lesão do sacro que repercute sobre o occiptal através da duramáter.

Para que consigamos um bom tratamento em osteopatia, devemos ao máximo visualizar a interação de todas as estruturas e tecidos.

AUTOR: Dr. Rogério Queiroz

Bibliografia

Cailliet, Rene - Dor Mecanismos de tratamento - Ed. Artmed,2000.

Grieve, Gregory - Manipulação Vertebral - Ed. Panamericana Gross

Fetto e Rosen - Exame Musculoesquelético.- Ed. Artmed,2000.

Ricard, François - Tratado de Osteopatia. Ed. Robe

Sallé, Jean Luc - La Neuralgia Cervicobraquial. - Revista Científica de Terapia Manual y Osteopatia n° 2 da Escola de Osteopatia de Madri, 1999.

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O tratamento da lombociatalgia através da acupuntura

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A lombociatalgia resulta frequentemente das limitações articulares entre as vértebras, provocadas por alterações da postura. No entanto, sabe-se que a postura está relacionada ás tensões musculares para- vertebrais, que por sua vez dependem de diferentes receptores que são principalmente: os olhos, o maxilar, os pés, a pele.
Qualquer alteração de um desses receptores (alterações da oculomotricidade, alteração da oclusão dentária, pés chatos, cicatrizes, etc0 pode provocar contrações que em longo prazo vão desenvolver limitações.

A lombolciatalgia na medicina chinesa pode estar associada ao meridiano dos rins: num quadro de insuficiência dos que pioram das 17:00 ás 19:00 horas. Outros sintomas associados; complexo de inferioridade, insegurança, indecisão, falta de vontade, deseja solidão. Neurose fóbica, lipotimia, fadiga, palidez, nefrose. Eliminações abundantes: urina incolor, sudorese, sialorréia, diarréia, agravam á noite. Edemas, cefaléia (vértex), zumbido no ouvido. Surdez, impotência, espermatorréia osteodentários, periodontite. Diurese intensa e freqüente. Dor escrotal, que se irradia para a região renal, dor na coluna vertebral, dor cardíaca. Pulso mole e fraco.

A região lombar é o domínio da energia do rim.

As doenças renais são frequentemente acompanhadas de dor e inflamação na região lombar.

O rim tem um papel importante em todo curso do crescimento desenvlvimento e degeneração do corpo. Degeneração e morte são resultados do declínio do fluxo de energia do rim. então a deficiência do rim, produzirá sintomas de envelhecimento prematuro, tal como, dor nas costas,zumbido, surdez, quedas de cabelo, membros fracos, perda dos dentes, etc.

A lombociatalgia pode também estar relacionada ao Meridiano da vesícula Biliar. Sintomas de excesso de energia: dor subcostal, dor e distúrbios no trajeto do meridiano. Dor e distúrbios nos olhos, ouvido, na nuca, ciática. Dor que se agrava: da 23:00 a 1:00.

Tratamento através da acupuntura auricular Francesa:
• Tratar a dor com: L5 – S1, ponto O, ponto O’
• Tratar a causa: ponto do olho, ponto maxilar, ponto de cicatrizes
• Tratar as conseqüências: principalmente os pontos cervicais (a primeira cervical é frequentemente acometida).

Tratamento através da acupuntura auricular Chinesa:

• Pontos: shen mem- ponto de primordial importância na dor e como antiinflamatório.
Lombo sacro, lombalgia, ciático, quadril.

Tratamento através da Moxa:

• “A Artemísia cura todas as doenças quando empregada em moxas”
• Aquece e circula o Qi e o Sangue
• Fortalece o Yang dos Rins
• Elimina Vento e dispersa o Frio
• Refresca o Calor e dissipa o Veneno.
Vivifica o Sangue e dissolve as estases

Aplicar sobre o local da dor e sobre os meridianos afetados, na forma de bastão, o caixa de moxa.
Tratamento através da Ventosa:

Ventosa Fixa:

• Região Lombar e costas doloridas B37, VG3, VG14

Ventosa Móvel:
• Na região das costas com os músculos tensos e afetados.

Tratamentos com Vasos Maravilhosos:
• Sensorial: YANG WEI MAIS TA5 - DAÍ MAIS VB41
• MOTOR: DU MAI ID3 – YANG QIAO MAI B62

Tratamento com canais unitários:
Se o meridiano afetado for tai iang utilizar: ID2, ID3, B66, B65
Se o meridiano afetado foi Shao yang: TA2, TA3, VB43, VB41
Se for Shao yin: C8, C7, R2, R3.

Tratamento com os Pontos mestres:
B11- mestre dos ossos
Ação: nutre o sangue, dor muscular generalizada, expele o vento, fortalece os ossos, suaviza os tendões
VG: fortalece as costas (lombar) e joelhos.
VB30 – ciática
VB34 – Relaxa e fortalece os tendões, regula a mobilidade das articulações, fortalece os ossos e joelhos.

Tratamento com os Pontos LO – Fonte:
Ponte fonte: B64, VB40
Ponto Lo da grande picada; quando o paciente estiver com muita dor do lado afetado utilizamos esta técnica, invertendo a posição da agulha no ponto da dor.

TÉCNICA DOS 4 PONTOS:

DEFICÊNCIA DE RIM: TONIFICA R7, P8
SEDAR R10, C7
Excesso de VB: SEDAR; VB38, ID5
Tonificar: vb44, IG 1

Fonte

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Fibromialgia e tratamento multidisciplinar

A síndrome da fibromialgia é uma constelação de sintomas crônicos, de natureza não inflamatória, com dor e desconforto, que afetam especialmente os músculos, tendões e os componentes das articulações, como os ligamentos. Uma síndrome, diferente de uma doença, é um quadro clínico que pode ser identificado, mas sua causa não é conhecida. Considerado um problema reumático durante muitos anos, vem agora recebendo atenção de neurologistas, já que muitos dos pacientes que sofrem de dores de cabeça crônicas e diárias também têm as outras dores e desconfortos dos portadores de fibromialgia vistos pelos reumatologistas já há muitos anos.

Sintomas

Entre os sintomas característicos estão os pontos onde o paciente sente dor intensa:


atrás da cabeça, na inserção dos músculos na nuca;
no trapézio,o músculo que une o ombro ao pescoço;
na origem do músculo supraespinhoso, sobre a espinha da escápula;
no quadrante superior externo do glúteo.


Ao exame físico é comum que se note retração muscular, ou dor de menor intensidade, mais ampla que a dor mais aguda. Por exemplo no topo da cabeça, na região do chapéu, ou na articulação da mandíbula. Sempre esta retração é da musculatura associada.

Doenças e sintomas associados

Porém estes pacientes têm muitos outros problemas: distúrbios de sono, confusão mental, tontura, dificuldade de concentração, distúrbios de memória, fraqueza, fadiga, distúrbios do humor, dores de coluna e cefaléia. Muitos têm associadas outras síndromes como síncope neurocardiogênica, tensão pré-menstrual, enxaqueca, dor durante o coito, bexiga irritável, cólon irritável, síndrome pós-traumática, e até a síndrome pós-implante mamário de silicone.

Na verdade, o quadro clínico se sobrepõe ao da fadiga crônica, ao da cefaléia crônica diária e ao da cefaléia tensional, conforme conhecido pelos especialistas da área. Para os pacientes as complexidades diagnósticas são maiores, e frequentemente acham que têm neuralgias, hérnias de disco, artrose de joelho ou coxo-femoral, problemas de labirinto.

A Frequência do problema

Estatísticas recentes indicam que 2% do total da população sofrem de fibromialgia. São 40.000 pessoas numa cidade de 2 milhões de habitantes. Isto torna este problema um dos mais comuns em consultórios médicos. Nas estatíticas americanas e nos consultórios curitibanos existe uma clara preponderância de mulheres com fibromialgia. São 3.4% das mulheres e 0.5% dos homens na população em geral. Possivelmente esta diferença está associada com a frequência das ansiedades e depressões na população em geral, que também é diferente entre os sexos.

A história natural da doença

Os pacientes com a síndrome da fibromialgia andam de consultório em consultório, de clínica em clínica de fisioterapia, tentando técnicas mais ou menos ortodoxas. Como a evolução natural da síndrome é crônica, os sintomas oscilam. As dores mudam de local, mais muscular em alguns casos, mais em tendão em outros. É frequente que pacientes entendam que uma melhora temporária foi causada por este ou aquele tratamento, alguma massagem, um novo colchão, um novo medicamento. Como regra geral, a melhora é sempre temporária.

Um tratamento que pode dar certo

Levando em conta a complexidade destas pessoas, cujos sintomas são físicos e mentais, neurológicos e reumatológicos, endócrinos e nutricionais, terá mais sucesso quem se especializar nestes casos. Os profissionais que aprenderem a modificar sua técnica de atendimento de acordo com as necessidades deste grupo de clientes. A prática vem mostrando que estes pacientes se congregam em torno de médicos e fisioterapeutas que tem sucesso, pelo menos parcial, em ajudá-los. Porém, são casos complicados demais para serem atendidos por só um profissional. Uma equipe multidisciplinar motivada e com experiência teórica e prática tem maior chance de sucesso. Isto já foi demonstrado em estudos realizados em outros países, com equipes formadas por fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e médicos.

A equipe multidisciplinar da Unineuro

Composta de todos os médicos, nutricionista, fisioterapeuta e psicóloga, a equipe da UNC visa contribuir para uma análise cuidadosa de todos os casos, indicando uma rota de tratamento individualizada. Os primeiros passos são fornecer ao paciente informações básicas sobre a fibromialgia, esclarecer as várias opções de tratamento, complementar e maximizar a interação entre os profissionais da saúde e o paciente. Uma meta prioritária da nossa forma de atender estes pacientes é incentivar o desenvolvimento de técnicas mais sofisticadas de gerenciamento pessoal. Na maioria das vezes os pacientes com este tipo de patologia são sedentários e não se alimentam direito. A intenção dos profissionais da UNC é auxiliar na organização da rotina diária do paciente fazendo com que se acostume a ter uma vida mais regrada e produtiva.

O papel da nutricionista

Realiza a orientação individualizada da dieta, procurando o equilíbrio entre os nutrientes. Estimula a perda de peso quando necessária, bem como providencia orientações específicas no caso de doenças associadas como obesidade, diabetes ou hipertensão. É importante ressaltar que a pessoa precisa adquirir hábitos alimentares saudáveis. Um componente é a redução de doces, frituras e gorduras, outro é aumentar o consumo de frutas, verduras e fibras. As necessidades calóricas diferem de pessoa para pessoa, pois dependem muito do metabolismo e da atividade física. A informação a respeito das medicações que a pessoa está tomando é importante pois a interação droga-nutrientes pode influenciar no sabor de determinados alimentos, bem como na sua ingestão. A integração medicina-nutrição-fisioterapia-psicologia é fundamental para a eficácia do tratamento.

O papel da fisioterapeuta

Tem como objetivo reduzir a dor e preparar melhor a musculatura. Devido a dor generalizada e a sensação de fraqueza, o mais aconselhável é iniciar o tratamento com relaxamento, alongamentos e aparelhos que promovam analgesia e relaxamento muscular. Após algumas semanas existe uma melhora significativa da dor, que permite iniciar um trabalho de condicionamento físico e fortalecimento muscular. Respeitando o limite de dor do paciente a atividade acaba tornando-se agradável. A pessoa deve ser conscientizada de que o exercício físico é um hábito saudável que deve ser implantado em sua vida como algo permanente.

O Papel da Psicoterapeuta

A psicoterapia cognitiva comportamental é o meio de auxílio escolhido pela UNC para as pessoas que sozinhas não conseguem a integração do seu corpo e da sua mente. Para que o corpo possa estar bem, é imprescindível que a mente esteja bem. Preocupando-se consigo, com sua saúde mental e física o paciente estará, realmente, colocando em prática a busca da sua qualidade de vida. O principal objetivo é auxiliar o paciente a encontrar ferramentas suficientes para lidar com suas questões, não só durante o tratamento psicológico, como por toda sua vida. Não se pode deixar de lembrar que o tratamento psicológico somente surtirá resultado se o paciente estiver participando efetivamente desse processo.

O papel do médico

O diagnóstico da fibromialgia baseia-se em dor em vários locais, ansiedade, depressão, nos pontos de tensão e distúrbios do sono. As síndromes da fadiga crônica e articulação temporo-mandibular ainda são consideradas no diagnóstico diferencial. O médico requisita exames para descartar doenças que possam apresentar sintomas similares. Após fazer o diagnóstico, explica os mecanismos de produção dos sintomas, faz a indicação medicamentosa e encaminha à equipe multidisciplinar. Os medicamentos utilizados são analgésicos e antidepressivos. Uma participação mais ativa do médico é necessária naqueles pacientes que tem dor crônica de longa duração, e que incorporaram ao seu esquema de vida o uso continuado de medicamentos. Muitas vezes estão aditos a medicamentos, principalmente do grupo dos benzodiazepínicos. O médico tem mais trabalho nestes casos.

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Prevenção de dores na coluna em gestantes

A presença de dor nas costas é um dos problemas mais comuns durante a gravidez. Estima-se que entre 50-80% das mulheres grávidas, o aparecimento de algum tipo de dor lombar é inevitável.
O mais comum é a dor nas costas aparecer no período entre o quinto e o sétimo mês de gestação, porém pode iniciar-se já a partir da oitava semana.
Mulheres que já apresentavam história pregressa de dor nas costas antes de engravidar são candidatas de risco para sofrer com a coluna.
Durante a gestação, ocorre uma verdadeira transformação no corpo da mulher, uma espécie de preparação para o momento do parto.
Hormônios como a Relaxina e o Estrógeno, provocam uma maior frouxidão nos ligamentos (espécies de “cordas” que unem os ossos) da coluna e da bacia.
Alterações na postura durante a gestação auxiliam na manutenção da posição ereta enquanto o crescimento do feto e o aumento do útero provocam um aumento do peso da mulher (quase 1/5 de acréscimo no peso) e afetam o equilíbrio do corpo.
O aumento do peso é concentrado inicialmente na barriga e os músculos abdominais vão perdendo o seu tônus pela distensão do útero que cresce. Isto acarreta um aumento da lordose lombar e uma sobrecarga na porção inferior da coluna.
NÃO SIM

Existem três tipos mais comuns de dor nas costas durante a gravidez:

1. DOR LOMBAR

Localizada na região inferior da coluna, pode ou não, sentir a dor irradiando para a perna, com contratura da musculatura ao longo da coluna.
Piora com fato de permanecer muito tempo sentada ou em pé.




2. DOR PÉLVICA POSTERIOR (SACRO-ILÍACA)

Quatro vezes mais freqüente do que a dor lombar, a dor que acomete a articulação entre o sacro (final da coluna que se alarga) e a bacia, chamada de articulação sacro-ilíaca.
A dor estende-se para os glúteos e região posterior da coxa, não ultrapassando o joelho. Pode ser bilateral e estar associada com dor na sínfise púbica.
A dor não desaparece rapidamente com o repouso e geralmente persiste por um certo tempo após o nascimento da criança.
20% das mulheres apresentam tanto a dor lombar como a dor da sacro-ilíaca.

3. DOR NOTURNA

Algumas mulheres grávidas apresentam dor exclusivamente durante à noite quando deitadas.
Esta dor estaria relacionada com o acúmulo de fadiga muscular no final do dia.
Outra hipótese é que, durante a noite, com a desativação de vários órgãos, como por exemplo, o estômago, existe uma maior quantidade de sangue circulando para áreas “inflamadas” da coluna.

HÉRNIA DE DISCO

O aparecimento da hérnia de disco durante a gravidez é extremamente rara (1 em cada 10000).

DOR DO PARTO

A dor durante o trabalho de parto é diferente, similar a uma forte cólica menstrual, persistente, aumentando de intensidade e freqüência e não sendo influenciada pela movimentação do corpo como a dor lombar.

FATORES DE RISCO PARA A DOR NA COLUNA NA GESTAÇÃO

  • Mulheres que já apresentavam dor nas costas antes de engravidar
  • Mulheres que já tiveram vários filhos
  • Virar-se na cama
  • Subir escadas
  • Ficar muito tempo sentada, principalmente com o corpo inclinado para a frente (no computador)
  • Levantar –se de uma cadeira baixa
  • Sair do automóvel
  • Carregar peso
  • Girar ou fletir o tronco
  • Relação sexual
  • Usar sapato de salto alto ( aumenta a lordose)
  • Dirigir
  • Aumento de peso > 10 kgs durante a gestação

DOR NA COLUNA APÓS O NASCIMENTO DA CRIANÇA

Após o nascimento da criança, o corpo da mulher vai sofrer uma nova transformação, com progressiva diminuição da lordose, e, muitas vezes, neste processo, muitas mulheres apresentam dores na coluna. Isto também é desencadeado pela sua atividade com o bebê, que a coloca em posturas muitas vezes inadequadas durante o processo de amamentação, dar banho ....

TRATAMENTO

No passado as mulheres tinham que aceitar a presença da dor nas costas, simplesmente, como parte do processo da gestação. Hoje em dia sabemos existem causas específicas com tratamentos mais específicos.
O objetivo é manter uma boa função durante a gestação com o mínimo de desconforto.
Lembrar da contra-indicação da realização de radiografias e do uso de anti-inflamatórios durante a gravidez!

  • Repouso de lado com um travesseiro entre as pernas
  • Aplicação de gelo / calor
  • Massagem
  • Analgésico apropriado por períodos curtos após o terceiro mês
  • Acupuntura após o trimestre
  • Uso de uma cinta pélvica
  • Exercícios de relaxamento e alongamento
  • Fortalecimento das estruturas musculares que sustentam o peso
  • Trabalho postural / contrabalançar a lordose excessiva
  • Condicionamento do modo correto de exercer as rotinas diárias
  • Hidroterapia
  • Yoga

EVITAR

  • Evitar carregar peso
  • Evitar exercícios físicos extenuantes
  • Evitar “step”
  • Evitar mergulho

Não tente tratar-se por conta própria!

A dor nas costas pode também ser causada por algum outro motivo. Procure um médico no caso de estar tendo febre , ardência durante a micção ou sangramento vaginal.

Se você está pensando em engravidar o melhor é um tratamento preventivo!

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Dor no Cóccix

O Cóccix é o conjunto de vértebras (3 a 5) que termina a coluna vertebral e se articula com o osso do sacro através da articulação sacro-coccígea, unidos por um disco fibrocartilaginoso e pelos ligamentos sacro-coccígeos anterior, laterais, posterior e intercornais.

O nome Coccidinia significa dor na região do Cóccix, que pode ser de moderada a aguda e que pode ter muitas etiologias (causas) e por isso tratamentos diferentes. Regra geral os sintomas são desencadeados por se sentar em superfícies duras, por movimentos repetitivos (saltar, correr, no caso dos atletas), no movimento de levantar depois de estar sentado muito tempo, nas relações sexuais, sobretudo nas mulheres, e na defecação.

A causa mais frequente é o traumatismo directo sobre um eixo vertical do osso do cóccix ou tecidos adjacentes, (queda, acidente), cirurgia ou luxações por esforços repetitivos (atletas). A Coccidinia é complexa no seu diagnóstico e contexto biomecânico, sedo as mais frequentes causas de dor, a fractura sacro-coccígea, a subluxação do cóccix ou outras disfunções da cintura pélvica e sacro, o que levam à hiper ou hipomobilidade do cóccix.

A Coccidinia é 5 vezes mais frequente nas mulheres (justificado pela anatomia) do que nos homens.

A melhor forma de diagnóstico de subluxação do cóccix é o RX nas posições de pé e sentado.

A articulação sacro-coccígea de facto permite algum movimento (por isso tem ligamentos e um pequeno disco) e não é em fusão como descrito em alguns manuais.

O tratamento Osteopático varia e depende obviamente da causa da disfunção. Em termos gerais, o tratamento engloba técnicas específicas que permitam um relaxamento dos músculos e ligamentos adjacentes, um reequilíbrio do jogo articular da coluna lombar, bacia, coxo-femorais, sacro e cóccix, aconselhamento de exercícios domésticos.

É importante salientar que por vezes o tratamento tem de ser via interna, pelo recto, conforme a posição e restrição do cóccix, mobilizando o cóccix gentilmente numa orientação específica. Esta será uma abordagem que, não obstante os bons resultados, tem de ser consentida e devidamente explicada ao paciente.

Fonte

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