quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Dores no pescoço







A dor no pescoço tem muitas causas e é muito comum deparar-se com ela pelo menos uma vez na vida. Porém, em 90% dos casos ela se limita somente ao pescoço e desaparece sem nenhum tratamento. O primeiro passo para determinar qual o motivo da dor é percebe-la como intrínseca (vindo do próprio pescoço) ou extrínseca, vindo de alguma outra fonte.

A dor intrínseca pode ser dividida em: mecânica – vinda das articulações ou dos discos; radicular – dor advinda da raiz de um nervo; ou mielopática, dor advinda da coluna espinhal. A espinha é composta de segmentos que têm basicamente três junções: o disco na frente e duas articulações na parte de trás. Essas estruturas são muito resistentes a lesões nas duas primeiras décadas de vida, mas às vezes, entre os 20 e 30 anos, esses tecidos começam a apresentar desgaste. Isso chama-se doença degenerativa e é a causa mais comum das dores no pescoço. A degeneração acontece simultaneamente no disco e nas articulações. Essa condição é progressiva com a idade e, aos 60 anos, todos nós apresentamos evidências desse processo em exames de imagem como raios-x, RM e TC. Felizmente, nem sempre os sintomas se manifestam.

A degeneração de disco tem uma progressão fisiológica característica: as células dos discos e no centro do disco, que criam proteínas cruciais para o funcionamento mecânico do disco, ficam menos ativas metabolicamente. Com essa diminuição na sua atuação, elas criam menos proteínas, que seriam críticas para o funcionamento discal. Essa proteína é responsável por difusão da água ou fluído no disco, fornecendo o vigor mecânico que o disco necessita para funcionar. Essas proteínas também são críticas para a composição extra-celular do disco, chamada de matriz. Em um disco normal, a carga (compressão) é dividida entre a parte interna (núcleo) do disco e a parede externa do disco.

Com a degeneração e a perda de fluído do disco, a carga se transfere do centro para as paredes do mesmo. Eventualmente a parede externa do pode falhar, o que causa fissuras. Essas fissuras podem ser dolorosas. Se a parede do disco estiver muito enfraquecida, o disco pode romper ou herniar. Além disso, mudanças degenerativas também ocorrem nas articulações. As articulações são muito parecidos com outras articulações periféricas, como os joelhos. Eles têm cartilagens nas extremidades dos ossos, que colidem com a superfície das articulações. Um tecido, chamado Sinóvia, e uma estrutura ligamentosa larga, chamada cápsula, cercam as articulações. Essas estruturas são muito bem supridas por nervos. Assim como nossa cintura ou joelho podem ser atingidos pela artrite, as articulações também podem ser, e por isso eles contribuem para dores no pescoço.

O disco que se degenera é mais susceptível a danos, porque ele não é tão forte quanto um disco normal. Porém, é preciso lembrar que só porque um disco está em processo degenerativo isso não significa que ele necessariamente cause dor, mas sim que ele pode causar dor.

Dores advindas de nervos têm padrões característicos. Podemos dividir esses padrões em duas categorias: dor radicular se refere a dor advinda de uma raiz nervosa. É usualmente uma dor aguda, do tipo elétrico, que atinge a extremidade superior de uma maneira particular. Essa dor de tipo elétrico que atinge a extremidade de uma forma particular é chamada de dermátomos. Pode ser associada com dormência ou fraqueza na extremidade superior. Pode piorar ou melhorar com movimentos diferentes ou mudanças no posicionamento da cabeça ou pescoço.

Dor mielopática é ligada aos sintomas advindos da compressão da medula espinhal. Esse tipo de dor ocorre usualmente nos dois braços e pode inclusive atingir as pernas. Também é associada com dormência ou enfraquecimento dos braços e pernas. No início pode ser muito sutil, como dormência das mãos, e pode ir progredindo lentamente até pontos sensíveis que cada um tenha nos braços e pernas, eventualmente causando dificuldades de equilíbrio e, em última instância, perda do controle sobre as funções intestinais e da bexiga. Isso leva um longo tempo para acontecer, na maioria dos casos, e contrasta com a dor mecânica ou das articulaçõs, que é geralmente no pescoço e se irradia pelos músculos do pescoço ou dos ombros.

Podemos categorizar diferentes condições da espinha baseados na sua etiologia. As diferentes condições que podem causar dores mecânicas ou nervosas são as seguintes: doença degenerativa discal é a mais comum. Também é comum o trauma espinhal. Fraturas e deslocamentos da espinha podem causar dores mecânicas, dores nervosas ou ambas. Elas são usualmente associadas com esforços exagerados da coluna.

Outras lesões traumáticas podem causar danos às articulações ou aos discos, mas não causam instabilidade da coluna cervical. Traumas na cabeça ou pescoço, lesões por levantamento ou por uso excessivo ou por má postura podem causar esse tipo de problema. Além disso, lesões por flexão/extensão, como a lesão "whiplash" da coluna cervical, causam Síndromes dolorosas significativas. Outra categoria seria condição inflamatória da espinha. Essa categoria inclui artrite reumatóide, infecção, neoplasia ou tumores, anormalidades congênitas da espinha e condições variadas, como a calcificação do ligamento posterior longitudinal (na qual os ligamentos se transformam em osso, causando compressão nos nervos), Siringomielia (um cisto na coluna espinhal) e doenças neurológicas com dores referidas ao pescoço. Um exemplo disso é a esclerose múltipla.

Condições extrínsecas que podem causar dores no pescoço incluem patologias como a síndrome do desfiladeiro torácico, compressões neuropáticas do nervo Ulnar e Mediano, e síndrome do túnel do carpo com compressão do nervo Mediano no cotovelo. Novamente, podem existir doenças neurológicas advindas do cérebro ou doenças neurológicas mais gerais, como neuropatias periféricas. Também podem ocorrer condições do sistema cardiovascular, como angina ou condições pulmonares como tumores pulmonares que podem se apresentar nos ombros ou no pescoço.

Como existem muitas causas para dor no pescoço, é muito importante que o médico faça um exame histórico e físico muito acurado da coluna cervical. O exame vai freqüentemente incluir o corpo inteiro, além do sistema neurológico e vascular, de forma a determinar exatamente a origem da dor. Além disso, o médico vai geralmente utilizar as técnicas mais atuais de imagem, e também injeções de contraste no pescoço ou no ombro ou extremidades superiores para buscar um diagnóstico específico. Quando a dor no pescoço persistir, é importante ter um diagnóstico particular para que o tratamento seja criado para combater o problema específico de cada paciente.


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